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sábado, 29 de janeiro de 2011

Insegurança não virtual

Foto via Google Imagens/blogdaemme.com

Insegurança não virtual

Existem algumas coisas que estão tão desvirtuadas, tão tresloucadas, e a tanto tempo, que fazem imperar no ar um certo senso comum às avessas. A clássica definição de que somos seres sociais por natureza, nos dia de hoje não parece ser tão absoluta assim. Afinal, se somos “sociais” porque nos isolamos tanto? Porque criamos cada vez mais obstáculos para convivermos com as outras pessoas? E que fique claro que não to desconsiderando as “redes sociais” nas quais se descobrem amigos íntimos os quais nunca vimos e (muitos) nunca veremos. Conhecemos “avatars”, “perfis”, que nem sempre correspondem aos seres reais escondidos por trás do teclado. Isto a rigor não pode ser considerado vida social.
O que foi feito das conversas na porta de casa? Dos papos animados nas esquinas? Quem pode dizer que conhece os vizinhos? E o pessoal da rua então? Do bairro?
Pouco a pouco estamos nos isolando do mundo, na verdade criando ou aderindo a outros mundos, pois, no fundo, temos medo, muito medo do mundo real em que vivemos.
Existem muitos tipos de temores e todos colaboram pra essa conjuntura, porém há um em especial, estimulado, provocado e até alimentado por uma incompetência crônica do Poder Público em garantir um sentimento de segurança efetiva para as pessoas.
O fracasso estatal (nos três níveis) na garantia desse direito fundamental é tão flagrante que vivemos uma inversão de status. Quem vive mais livre, cidadão ou meliante? Quem impera nas calçadas - cada vez mais raras e imprensadas pelos muros imensos, cercas elétricas e grades, muitas grades?
É isto mesmo, nós cidadãos vivemos atrás das grades, presos com medo que bandidos de todas as espécies, nos tomem um bem, a paz ou até mesmo a vida. Enquanto isto, eles, avessos à lei, zombam de todos, livres senhores das ruas.
Não existe um sistema nacional eficiente de segurança pública, há sim esboços, tentativas tímidas nos últimos anos, mas se avançou pouco. Pelo menos aqui em Rondônia. Eu falo de sistema porque é preciso a interação de várias ações coordenadas que passam pela atuação de todos os níveis de governo:
A Municipalidade precisa caprichar na iluminação de TODA a cidade e manutenção disto, bem como na garantia de mobilidade urbana ampla (ruas transitáveis, pontes, passagens, etc.), bem como fiscalizar que as crianças em idade escolar estejam em sala de aula e não perambulando pelas ruas, semáforos ou “estacionamentos públicos”;
Ao Estado, por exemplo, é imperioso investir em ampliação, valorização e treinamento (inclusive humanização) das forças policiais, pra atuarem com menos força (quando desnecessária) e mais estratégia, inteligência institucional, equipamentos e condições dignas de trabalho. É fundamental dar mais atenção à educação, especialmente profissional, de jovens e adultos;
A União deve, entre outras coisas, intensificar o apoio ao Estado e ao Município, em suas ações específicas e não pode, de forma alguma, negligenciar a guarda de nossas fronteiras e o combate ao crime nacional ou regionalmente organizado, isto sem falar, mais uma vez, no investimento maciço, na educação, com destaque à superior.
Acredito que com vontade política e atitude é possível fazer muita coisa imediatamente, ainda dá tempo de evitarmos que deixemos de ser seres sociais e passemos a ter tão somente vida virtual.
Amo a interação nas redes sociais, mas não estou disposto a abrir mão do abraço caloroso de amigos e amigas nos encontros reais, casuais, na porta ou no batente, ou nas reuniões no boteco ou na rua, marcadas, inclusive, pela internet.
Quero a segurança Real e não a Insegurança não virtual!

Anderson Machado

7 comentários:

  1. Angelis Luciane C. Melo29 de janeiro de 2011 10:26

    Há pessoas que não sabem usar as redes sociais, que se isolam em um "mundinho" pequeno demais e esquecem de celebrar a vida, de viver!

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  2. Inicialmente, parabenizo-o por mais esta postagem, e, afirmo que não é facil comentá-la. Em um primeiro momento, a respeito das redes sociais, eu discordo, acredito sim, que muitos se isolam no mundo virtual, contudo, creio que essas pessoas são a exceção, e não a regra. Isso pq penso que as redes sociais são formas de mostrarmos ao mundo como somos, no que pensamos e acreditamos, e que, em maior ou menor grau estamos dispostos a conhecer pessoas e lugares. Num segundo aspecto, a insegura e a ineficácia do Poder Público em proporcionar um ambiente de tranquilidade e segurança social, não há como não concordar. ressalto, que sim, a ausência de eficácia das ações do poder publico é responsabilidade de todos nós, que começa na hora do voto, aos escolhermos candidatos despreparados e sem uma política concreta de educação e politica de segurança pública. Um país com tamanha desigualdade e ausência de uma educação e base social, caminha, a passos cada vez mais largos para o aumento da criminalidade, e a consequente impossibilidade de gestos simples, como por exemplo, caminhar e apreciar a lua

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  3. O post mostra bem que está cada vez mais difícil nos socializarmos em nosso cotidiano, uma insegurança que é realmente gerada pela violência em que o mundo se encontra. As redes socias têm suas complexidade, pois nos aproximam dos que estão longe e acabam nos afastando dos que estão perto. Contudo, são grandes aliadas para aumentarmos nosso circulo de amizade. Quanto à criminalidade, o Poder Público venda os olhos e faz pouco caso. Toda a sociedade precisa votar consciente!!!

    Abraços, Samara Rocha.

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  4. Importantíssima essa tua postagem, evidencia a insegurança que enfrentamos em pleno século XXI. Ela me fez refletir sobre a minha realidade pessoal, e aproveitei para olhar para a janela do meu quarto, avistei de pronto a grade, me sentí prisioneira de mim mesma. Tua postagem me fez sentí saudades da minha infância, onde toda noite meus pais conversavam na varanda com os vizinhos e nós brincávamos na calçada com os filhos desses vizinhos. Ah! Estávamos no paraíso e não sabíamos. Seria bom que nossos filhos pudessem usufruir dessa liberdade perdida. Hoje nos fechamos em nossos casulos para teclarmos com os "amigos" virtuais, acreditando que não estamos sozinhos. Parabéns! Blog interessante! Abraços, Célia Tosta

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  5. Algusn se escondem atrás da tela do computador, se isolam nas redes sociais, parece contraditório, porque interagem com várias pessoas virtualmente e não vivem o corpo-a-corpo. Outras se mostram mais nas redes sociais do que na sociedade, eu mesma digo que não falaria com você pessoalmente nem 1/3 do que fala virtualmente, sou bem melhor escrevendo, kkkkk. Mas não me sinto isolada, pelo contrário, aproveito-me das redes para interagir com o mundo. Mas acho triste estarmos aos poucos perdendo nosso convívio social por medo de uma sociedade que adoece a cada dia. Concordo em tudo como você, falta vontade política e responsabilidade social de nossos governante a fim de tornar nossa cidade, estado e país mais seguros e sociáveis. Como sempre, postagem perfeita!!!

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  6. Ótima visão sobre as redes sociais.
    As redes sociais começaram justamente pelas pessoas que já se sentiam isoladas e assim as criaram para compartilhar suas experiências e assim, quem sabe, interagir e gerar encontros reais entre essas pessoas.
    Esta bem claro que muitos preferem esse mundo virtual para nao ter q sair de casa e estar a mercê da violência, mas será que isso também nao seria uma desculpa de encarar a vida real por ter medo de como o mundo real possa reagir?
    As ferramentas foram criadas para ser uma ampliação das redes da vida real, alcançando pessoas distantes que seria difícil encontrar ao vivo, porem poucos sabem disso e acabam se perdendo nesse mundo por receio da vida real.
    A violência nas ruas e todo a falta de assistência dos poderes públicos para nos passar a segurança de manter viva a sociabilidade no mundo real pode ser um agrave as antigas formas de socialização, mas creio que o maior problema hoje em dia não vem da falta de ações governamentais, e sim dos seres humanos.
    A falta de algo chamado de CONFIANÇA. O que antes abríamos as janelas da casa para dar um oi ao vizinho, hoje fechamos as cortinas mais grossas achando que estamos sendo espionados pelos próprios. É a falta de confiança no próximo que nos torna tão isolados do mundo real, e não o medo de que algo ruim possa acontecer, pois as coisas improváveis e ruins podem acontecer você se preparando ou não.
    Mesmo o banco com a segurança mais pesado ainda esta fadado ao arrombamento e assaltos. As improbabilidades vão acontecer e nunca serão 0, por maior que seja as precauções. Então cabe dar chances aos acasos da vida e reabrir a porta da confiança ao sair nas ruas, pois muitas vezes perdemos grandes oportunidades por ficarmos nos isolando com medo das reações adversas do mundo. Podemos começar com aquelas pequenas atitudes que vem sendo esquecidas aos poucos como um “Bom Dia!” ou simples sorriso ao passar por alguém, gestos simples que reabrem as portas das redes sociais do mundo real.

    A praça ainda é, e sempre será, a melhor rede social que conheço.
    Lugar otimo para conversar e conhecer pessoas novas, basta deixar os preconceitos da primeira impressao em casa e levar um sorriso no rosto. =]

    Bem essa é minha visão.
    Postagem, como sempre, muito boa!
    Abraço.

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  7. A insegurança está abrangente em todos os setores e precisamos mudar essa história, afinal está assim por causa da irresponsabilidade de muitos governantes, da imensa desigualdade social existente, de um Poder Público negligente, do próprio povo que não reivindicam os seus direitos.
    Por isso mesmo a saúde é um caos, a segurança é despreparada vemos isso no aumento da criminalidade em nosso Estado, sem falar na educação.
    A falta de segurança nas escolas é um problema sério tomou proporções nunca antes imagináveis como drogas, violência, crianças assediadas sexualmente dentro e fora da escola, dentre outros.
    Somos seres sociais por natureza e se começarmos a nos isolar foi por causa de toda essa insegurança ao nosso redor.
    E acho válido todo tipo de interação, de comunicação logicamente que como tudo na vida tem o seu lado positivo e o seu lado negativo, precisamos ter cuidado. A desconfiança é algo imperativo em nosso meio.
    Com certeza com vontade política e ações é possível recriarmos um sociedade renovada, mais organizada, harmonizada que proporcione uma segurança real a qual não temos nos dias de hoje.

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