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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Mar de Encantos




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Mar de Encantos


Mergulhei no teu olhar
Na beleza e imensidão a me desafiar
Era impossível não sonhar
Não desejar, com a coragem dos que amam,
Desbravar aquele mar

Um perfume envolveu meu corpo...
Olhos dominados, encantados, em única visão
Os pensamentos, todos, dissipados pelo ar

Uma brisa suave acariciou meu rosto
Das pernas sumiram as forças de repente
No peito, um descuidado coração disparou

Estava feito... O encanto me domou
Era hora de navegar, de sentir aquele gosto
De arriscar, de buscar aquele mar

Mar de encantos... Vou te descobrir!
Em teus segredos hei de mergulhar
E com felicidade, às tuas águas
Vou me entregar!


Anderson Machado

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Comissões de (In)justiça: Vitória da PGR, derrota do MPU, derrota do Brasil!



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Alguém consegue imaginar algum tipo de “modernização” no serviço público ou algum planejamento estratégico que desconsidere a importância do fator pessoal?
Pois ontem tive certeza de algo que já desconfiava: Para a administração do MPU, modernização e planejamento estratégico, não tem nada a ver com valorização dos servidores, com reestruturação das carreiras.
Vi com meus próprios olhos um representante da administração convencendo parlamentares na Câmara e no Senado a descartarem a proposta de emenda que viabilizaria recursos para reestruturação das carreiras do MPU, em troca de aprovarem outra emenda que destinaria recursos à “modernização” do MPF (planejamento estratégico, construção e ampliação de sedes, p.e.).
Fiquei me perguntando qual o sentido de se construir mais sedes, fazer reuniões, bancar viagens, publicar informativos... se não houver pessoal?
O MPU tem registrado uma evasão superior a 30% de seus quadros, nesse ritmo...
Bem, pra viajar sempre acharão alguém...
Mas quem vai trabalhar nas novas sedes, participar das reuniões, ler os informativos? De quê adianta ter estratégia se não há quem a cumpra?
A PGR, por sua ação no Congresso Nacional, deu um tiro no pé, no próprio e no do Estado Brasileiro. Ao abrir mão da possibilidade de, via emenda, reconstituir a integralidade de seu próprio orçamento, (em troca de uma migalha!) a administração superior do MPU atuou contra o esforço que servidores e membros, a partir do sindicato e de suas associações, respectivamente, tem feito em defesa da autonomia institucional, jogou contra a defesa que tem sido feita da importância de um MPU forte , priorizou a burocracia e a vaidade de alguns membros e servidores em detrimento do verdadeiro espírito institucional, aliou-se ao Governo, que tem sido seu algoz em relação a autonomia orçamentária e a política de pessoal, em troca de pequenos “favores” orçamentários.
A administração do MPU trabalhou contra o Brasil, pois ajudou na tática de sucateamento do órgão. Deu-me náuseas ao ver um certo representante da PGR com um sorriso de canto de boca comemorando aquela “vitória”.
Foi um dia triste, tanto mais porque vi um parlamento de joelhos negando a própria independência ao acatar, sem sequer discutir, as ordens do Executivo. Os deputados e senadores que compõem as CCJ’s (Comissões de Constituição e Justiça) do Congresso Nacional simplesmente ignoraram os compromissos que muitos deles assumiram com os servidores do MPU e com o povo brasileiro de quem devem ser representantes e esconderam-se, salvo raríssimas exceções, sequer comparecendo às sessões que definiram as emendas de cada uma das comissões.
A patética cena da sessão da CCJC do Senado com a presença tão somente do presidente da comissão e do relator da resolução que indicou as emendas daquele colegiado, falando para um amontoado de assessores (inclusive da PGR) num simulacro de apreciação, fez rondar-me uma imensa descrença na própria democracia brasileira...
Porém, não me permito abater pelo revés dessa batalha. Afasto a descrença, enxugo as lágrimas desta alma cidadã e mais uma vez coloco-me ao lado de guerreiros e guerreiras que não desistem da luta e que continuam buscando encontrar, também no Congresso Nacional, forças que se aliem a nós e nos ajudem salvar o Ministério Público da União, importantíssimo instrumento de defesa dos direitos do povo brasileiro da destruição.
Para que a injustiça não prevaleça, continuaremos na luta!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Parte de Mim



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Parte de Mim 


Meu dia não queria começar de verdade
Estava estranho, incompleto,
Não tinha despertado à realidade

Tudo vasculhei, sentimentos, pensamentos
Sempre a me perguntar:
Porque? O que me faltava?

Logo descobri... Estava claro!
Faltava parte de mim.
O cheiro dela não sentia mais...
Escapava-me seu gosto em minha boca...

Parte de mim! Dei-me conta:
Levastes consigo parte de mim!

Aquele cheiro...
Aquele gosto de mulher
Fêmea que quero e que me quer

           De vida, alegria e amor sou repleto,
           Quando a tenho ao meu lado,
           O coração forte pode bater,
           Acelerado é verdade, mas completo!

Como pode alguém meus sentidos tomar?
Vou buscá-la, mostrar qual é o seu lugar:
Perto, bem perto de mim!

           Nela encontro meu coração,
           E por ser só coração,
           É nela que me encontro!

                                      Anderson Machado

domingo, 11 de novembro de 2012

Meu Lugar



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                             Meu Lugar


Meu canto é onde o vento sopra e afaga meu rosto,
As batidas do coração, com o seu em harmonia,
Ecoam acompanhando sussurros de alegria.

Meu olhar caminha envolto de emoção,
O pensamento tem asas e é ali que quer estar,
Porque toda busca se finda bem ali no meu lugar.

Meu corpo todo se entrega à magia de sonhar,
Sonho agora vivido, sem ter pressa de acabar.
A rede da vida se estende, vou aqui me agasalhar,
Meu canto fora encontrado, pois nele você está.

Que o mundo gire e me leve pra onde precise estar
Pois sei, por mais duradouras as voltas que o mundo dá,
De volta sempre me encontro onde a felicidade está,
No doce e vivo aconchego, ao teu lado, bem aqui, no
Meu lugar!!

Anderson Machado

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Pra Você!


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            Pra Você!


Mais que palavras, ofereço-te a minha boca,
Que quando teus lábios toca, rende-se louca,
Tomada completamente por teu sabor
Teu cheiro, teu jeito, teu calor.

Não prometo. Entrego-te meu coração.
Meu único e verdadeiro tesouro,
Que me pertencia até te conhecer
E ser subitamente arrebatado por ti...

Mais que o mundo, é teu meu o ser
Que antes de te conhecer não era...
E que agora, por causa de ti, tudo é!
É força, é alegria, é amor... É vida!


Anderson Machado

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

PL 4362/12: Nem tanto ao mar, nem tanto a terra



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Semana passada retomei minhas atividades no MPU. Em razão da ocorrência, naquela mesma semana, da AGO do SINASMEPU, somente agora estou, aos poucos, efetivamente retomando minhas ações na direção do sindicato. Ainda sequer consegui conversar com os colegas diretores.
De qualquer forma, fui aos poucos lendo os milhares de e-mails de minha caixa postal bem como ouvindo colegas de Unidade a respeito de vários temas, especialmente daquele que me parece a grande discussão na categoria neste momento: o PL 4362/12.
Ouvi e li colegas muito chateados com a posição do Sindicato pela rejeição do referido Projeto de Lei – ressalte-se que uma posição obtida até então em assembleias por local de trabalho e por isto institucional, que tem por fundo a inarredável defesa da autonomia orçamentária do MPU. Da mesma forma li e ouvi muitos apoiando essa posição.
Hoje após o anuncio da deliberação da assembleia geral segundo a qual deve o sindicato requerer ao PGR a retirada do referido Projeto de Lei 4362/12, minha caixa postal e telefone não pararam mais. Foram colegas já anunciando campanhas de desfiliação e outros defendendo a inquestionabilidade das decisões das assembleias gerais.
Peço licença pra posicionar-me de uma forma diferente.
Desconsiderando os interesses, e disputas, políticos sindicais ou não, que cercam o tema, penso que o mais sensato é ouvirmos a voz da categoria, a voz verdadeira, de todos, inclusive daqueles que pouco ou nunca se manifestam ou comparecem a assembleias, ainda que locais. De um certo ângulo, este momento lembra-me o início das discussão a favor ou contra subsídio. De um lado os que se posicionavam contra alegavam a existência de uma deliberação anterior da categoria contra a apresentação de proposta nesse sentido, de outros os favoráveis que alegavam ser maioria no seio da categoria.
Qual a solução encontrada pelo sindicato naquele momento que, inclusive, significou o fortalecimento do SINASEMPU enquanto entidade sindical? A então DENIN promoveu ampla consulta à categoria e adotou a posição que emergiu dessas consultas.
Porque não fazer da mesma forma agora?
Saliento que sou um defensor das instâncias sindicais e como sindicalizado e, especialmente como dirigente, sinto-me chamado ao respeito às deliberações tomadas. Porém, parece-me claro que a única forma de buscarmos maior unidade na categoria é praticando o desapego à formalidade. Não quero nem de longe atacar qualquer decisão das assembleias da categoria, mas numa questão que se tem demonstrado tão crucial, a qual, em certa medida, pode por em risco, inclusive, a legitimidade do Sinasempu com instrumento de luta do conjunto dos servidores do MPU, gostaria de chamar a todos, inclusive aos colegas da direção, para uma reflexão: Não seria bem melhor pra nossa luta, pra nossa categoria, promover, antes de adotar qualquer medida que possa produzir efeitos definitivos, uma ampla consulta, via internet, a todos os servidores do MPU?
Para preservar e fortalecer nossas instâncias sindicais, após a consulta, caso o resultado seja diferente das deliberações até agora tomadas, far-se-iam novas assembleias nas unidades para ratificar, já havendo amplo conhecimento do desejo da maioria, a posição.
Proponho que a discussão dê-se em torno de duas propostas:
1.    Requerer ao PGR a retirada do PL 4362/12;
2.    Adotar o PL 4362/12 como alternativa, em caso de não celebração de acordo para aprovação do PL 2199/11, para 2013, sem retirada de qualquer deles uma vez que um não prejudicaria, em tese, o outro.
Para possibilitar ampla defesa das propostas o Sinasempu abriria espaço no site para a publicação de informações e ou reflexões sobre o tema.
Tudo isto no mais breve espaço de tempo possível.
Colegas, sempre defendi e continuo defendendo que a voz de toda a categoria seja a mola propulsora de toda e qualquer ação do sindicato.
Fica a proposta.
E sigamos na luta!

Anderson Machado

sexta-feira, 29 de junho de 2012

MPU: Cesta de 30 ponto e marcação sob pressão, quadra toda!


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Adoro esportes, sempre pratiquei muitos, mas desde a infância, minha paixão sempre foi o basquete, a complexidade dos movimentos, aparentemente simples, o permanente uso da estratégia e a inteligência, inclusive emocional, como elemento indispensável para alcançar a vitória.
Mas porque to falando em basquete quando você que me lê agora, certamente, inclusive pelo título do texto, está querendo saber é sobre a recomposição salarial dos servidores do MPU? É porque algumas lições que aprendi em quadra servem-nos muito bem neste momento.
Uma expressão que mais parecia um mantra, repetido por todos os técnicos/treinadores com quem joguei, era o seguinte: “Não existe cesta de 30 pontos!” Repetiam isto todas as vezes que estávamos atrás no placar, especialmente quando a desvantagem era razoável. Diziam isto para que percebêssemos que nossa vitória não dependia de um único lance e sim de um conjunto de movimentos, uma série de lances, tanto na defesa, impedindo que o adversário continuasse a marcar, quanto no ataque onde tínhamos que marcar o máximo possível, tirando a diferença.
Vejo-nos, atualmente, em situação similar. Estamos em grande desvantagem, o Governo nos mantém há mais de seis anos sem recomposição salarial, nossa vontade é que tudo se resolva em um único lance (a tal sexta de 30 pontos), mas isto não é possível, não ocorrerá. É fundamental termos, neste instante, consciência que é preciso uma série de movimentos orquestrados a partir de uma estratégia eficiente e eficaz. Porém, de nada adianta a estratégia se não acreditamos que é possível virar o jogo, se não executarmos bem cada lance.
Na defesa precisamos rebater os argumentos falaciosos da Presidente e seus emissários, no Governo, no Congresso Nacional e nos veículos de comunicação. Devemos disputar mentes e corações dos verdadeiros formadores de opinião, especialmente dentro do Congresso Nacional por onde, necessariamente, definir-se-á a aprovação do PL 2199/2011. Impedindo que o Governo avance nessa política nefasta que nos atinge, teremos condições de, no ataque, tirar a diferença. Várias cestas precisam ser obtidas para virar o jogo.
A primeira delas é conseguir que o Relator na CFT, Dep. Aelton Freitas, apresente incontinente seu relatório à comissão, afinal, se antes argumentava que só o faria com uma opção oficial do PGR por um dos dois PLs, agora com a decisão CSMPF, não tem mais desculpa! Outra jogada fundamental é o convencimento de todos os membros da CFT, pela aprovação do PL 2199/11 o mais breve possível. Devemos também, com a proposta orçamentária do MPU em mãos, avançarmos sobre o Ministério do Planejamento para exigir a inclusão da previsão orçamentária na proposta consolidada.
Nos momentos decisivos das partidas, especialmente quando precisamos tirar diferença, a marcação “homem a homem’, marcação pressão quadra toda, é geralmente a mais indicada. Embora exija de toda a equipe um esforço bastante grande é possível ser realizada durante um período determinado de tempo. Mas só funciona se a equipe toda se aplicar. Bem, no nosso caso, nossa marcação pressão deve começar na saída da bola, nos Estados e com todos os parlamentares, é preciso que o Congresso Nacional acuse a pressão, reconheça-nos como uma categoria importante, mobilizada e que não os deixará em paz até alcançar nosso objetivo que é a aprovação do PL 2199/11. Todos os jogadores (parlamentares, membros do governo e até candidatos influentes) devem ser procurados, devem sentir nossa pressão, especialmente os “craques”, aqueles agentes políticos (parlamentares ou não) que tem mais voz no governo e no Congresso Nacional, esses não podem ter tranqüilidade para jogar, salvo se claramente estiverem no nosso time.
A hora de vencer é agora, não existe cesta de 30 pontos, nem vitória sem luta. Não lutar é aceitar desde já a derrota, ir à luta é ter a esperança de construirmos, juntos, a vitória.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Beijo

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         Beijo


Passos desencontrados,
Braços inconformados,
Olhar furtivo...
Corpos em fuga...

A lua, o lago...
Estrelas, o porto...
Brisa soprando no rosto...
Desejos, pensamentos...

Mãos dadas!
Olhos conectados...
Respiração acelerada...
Arrepio no corpo, suor nas mãos...

A lua, o lago...
Estrelas, o porto...
Brisa soprando no rosto...
Um só desejo, mil pensamentos...

Almas em chama,
Corações disparados,
Corpos tomados
Lábios...

Silêncio.

Felicidade!

Anderson Machado

domingo, 6 de maio de 2012

Risco de Felicidade



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                   Risco de Felicidade


O que importa de verdade?
O toque, o beijo, o coração palpitando?
A ansiedade indomada, a alma angustiada,
na certeza do tempo passando?

Está ao alcance dos olhos a felicidade buscada?
O que sente o coração resiste às incertezas da razão?

É pura insensatez, posto que ingrata missão,
entregar-se às armadilhas do caminho,
Perder-se, sozinho, em dúvidas, medos, ou suposta razão.

Quem desiste é lamento, tormento, angústia
É covardia - inominável agonia! - condenar-se ao “talvez”!

É preciso entregar-se! Viver, buscar... arriscar!
É na vida, em cada passo, que o amor se faz.
Não é olhando para traz que se alcança,
que se transforma a esperança em conquista.

Amar é correr o risco, inclusive, de ser feliz!

Anderson Machado

segunda-feira, 23 de abril de 2012

BRASIL: um país de todos, menos dos Servidores Públicos

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Não tenho a pretensão de fazer aqui uma avaliação da era Lula nem tão pouco dos dezesseis meses de Dilma, afinal, um governo é composto por inúmeros aspectos, os anos de Lula foram de certa forma julgados nas urnas em 2010 e Dilma, se as pesquisas falam a verdade, vem agradando significativa parcela da população.
Porém, quero refletir de uma posição, de uma condição na qual me encontro e de onde, junto com outros milhares de brasileiros e brasileiras, temos percebido um conjunto de ações da atual presidente. Falo da condição de Servidor Público, mais especificamente de servidor do MPU.
Não vou aqui lembrar as perversidades do Governo Fernando Collor que iniciou um ataque sem precedentes contra os servidores, tão pouco os 08 (oito) anos sem reajuste do Governo FHC ou os poucos e fracionadíssimos reajustes (no caso do MPU) dos tempos de Lula. Precisamos tratar do presente.
E, no presente, o slogan que melhor define o comportamento do Governo, por uma postura pessoalmente definida pela Presidente, é esse que dá título ao presente texto. Afinal, desde os tempos de Lula o governo vangloria-se da inclusão, da retirada de milhões de pessoas da miséria, porém, a política adotada em relação aos servidores vai em direção completamente oposta.
A falta de uma política coerente de valorização, bem como a adoção de postura politiqueira na qual se usa os servidores públicos, especialmente os altamente qualificados como no caso do MPU e do Judiciário, como “bodes expiatórios” de uma pseudo austeridade macroeconômica, tem marcado a relação de Dilma com os servidores. Afinal, enquanto para os servidores públicos qualquer pedido de reajuste ou, como no caso do MPU, de recomposição salarial, a alegação para não atender o pleito é sempre “a necessidade de manutenção do equilíbrio das contas públicas a fim de resguardar o país de possíveis reflexos da eterna crise econômica internacional”, não se vê a mesma preocupação na liberação de recursos para a ciranda financeira, na facilitação de lucro para bancos nacionais e estrangeiros. O Governo, por uma decisão da presidente Dilma, tem preferido “resguardar a liquidez do mercado” a evitar o sucateamento do serviço público.
Pelo que tem demonstrado, a presidente Dilma entende que “Um país rico é um país sem servidores públicos” (parodiando outro dos slogans do Governo). Afinal, se não mudar logo a política, se não respeitar, por exemplo, a autonomia do Ministério Público da União para estabelecer a política remuneratória de seus Servidores, causará um dano irreparável à Nação.
Pois, em breve, muito breve, os talentos que hoje ainda resistem trabalhando no MPU, que há seis anos não têm qualquer recomposição salarial, serão vencidos pela necessidade e migrarão para a iniciativa privado ou para outras carreiras que vêm, pontualmente, sendo valorizadas.
A presidente Dilma que, segundo as pesquisas oficiais, navega em grande popularidade, precisa lembrar que a verdade, cedo ou tarde, prevalecerá e aqueles que hoje supostamente aplaudem sua “firmeza” e “seriedade”, poderão mudar de idéia quando perceberem que um Ministério Público fraco só é bom para os corruptos e malfeitores e, quando esta verdade vier à tona, todo o seu esforço de parecer implacável com a corrupção cairá, de uma vez por todas, ao chão. Afinal, a responsável pelo desmonte do Ministério Público da União será, pessoalmente, a presidente Dilma, pois é ela quem tem agido diretamente no Congresso Nacional para impedir a aprovação daquele projeto que, segundo seus próprios técnicos, estabelece uma política salarial mais justa e transparente para os servidores.
A “bola” está nas mãos do Governo, aliás, nas mãos da presidente Dilma, o Ministério Público incluirá em sua proposta orçamentária os recursos para a implementação do PL nº 2199/2011, se Dilma repetir a atrocidade feita no ano passado quando, insconstitucionalmente, retirou da proposta consolidada os recursos que atenderiam os servidores do MPU, entrará para a história como a presidente que sucateou no Estado brasileiro o principal mecanismo de combate à corrupção e defesa dos direitos do Povo, o Ministério Público da União.
Se isto acontecer, serei o primeiro a defender um novo slogan:
DILMA: Impunidade e Corrupção, a culpa é sua!

domingo, 22 de abril de 2012

APOIO: UM GRITO VAI ECOAR: RENOVA SINDJUS!

 
Quem quer o SINDJUS de volta?
Os servidores do Poder Judiciário no Distrito Federal! Mais que um querer é uma necessidade, ha muito, muito tempo, os servidores perderam o controle de seu sindicato. Ha muito, muito tempo, que decide o que é melhor para a categoria (?) é um pequeno grupo dirigente.
Mas isto é bom pra quem?
As decisões são boas para quem as toma. Não que todas as ações, todos os atos do sindicato nesse longo período nas mãos da diretoria atual tenham sido ruins, tenham prejudicado a categoria (embora alguns, com certeza!), mas tem havido um desvio de finalidade do sindicato.  O sindicato só faz sentido quando é expressão do desejo da categoria, quando faz ecoar a voz da categoria, quando suas posições são fruto da legítima e democrática discussão da categoria.
Ouvir a categoria não é simplesmente fazer assembleias. É dar oportunidade a cada servidor, cada servidora, expressar sua opinião sobre os destinos da categoria. Não importa se o servidor tem 30 anos de carreira, ou se acaba de ser nomeado, não pode ser critério para participar ou não das decisões o fato de ter incorporações ou não.  Trabalhar nos grandes tribunais ou nos mais distantes fóruns não pode significar a diferença entre ser ouvido ou ignorado. Sindicato de verdade é sindicato em que todos e todas têm voz e voto!
E isto não é difícil, não depende de altos investimentos financeiros, isto depende apenas de VONTADE da direção. Mas pra ter esta vontade é preciso uma direção que não tenha medo da base, que não tenha calafrios ao pensar em ouvir a voz da categoria, é preciso uma direção que busque verdadeiramente a unidade do conjunto da categoria.
Uma direção assim pode ser construída e é este o momento. A Chapa 2 surgiu da base da categoria, do desejo de servidores e servidoras que exigem um sindicato sem um dono, onde a base é quem, verdadeiramente, decida seu destino, um sindicato em que o “EU” dá lugar ao “NÓS, servidores do Judiciário”!
Por tudo isto que, nesta semana, dias 24 e 25/4, é preciso que um grito exploda das urnas, um grito forte, intenso e verdadeiro, um grito de quem quer ter seu sindicato de volta: RENOVA SINDJUS!
Que o grito venha e não seja calado por nenhuma manobra. Feliz Eleição SINDJUS!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sobre o Amor... e o desamor

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Sobre o Amor... e o desamor

Há momentos em que gostaria que o mundo pudesse ouvir o coração.
No fundo penso que assim ele seria melhor compreendido, afinal, não é possível que a linguagem mais pura, mais autêntica, mais verdadeira, possa não se fazer facilmente entender.
Essa voz rouca que está presa no preito e que ensurdece os ouvidos, confundindo os pensamentos e travando tantos movimentos, é algo que surge sem explicação, que não encontra expressão suficiente.
Não existem palavras pra descrever o que se sente. Pior que isto, não há jeito de demonstrar a plenitude, extravasar esse turbilhão de emoções. Tentar fazê-lo é arriscar-se ao ridículo, pôr-se, aos olhos dos demais, como bobo, ingênuo, infantil...
Num mundo onde as pessoas, da boca pra fora, queixam-se da falta de amor, não existe disposição pra amar. As pessoas não desejam entregar-se, preferem a superficialidade, o real amor assusta. Talvez porque idealizado demais, ou mesmo porque seja “antigo”, ou porque supostamente oponha-se à idéia de uma pseudo “liberdade absoluta” - desejo cultivado como o da “moda”. O amor é “brega”.
Chique é o desamor, o desapego. Moderno é “ficar”, não ter compromisso, “deixar rolar”. O desamor é frio, cortante, facilmente explicável. O não sentir é auto-explicativo, simplesmente não se quer, basta dizer que acabou, que se um dia se quis, agora não se quer mais, ou até dizer para si mesmo que nunca se quis de verdade...
É muito mais fácil negar o que não se consegue explicar, é muito mais cômodo repelir o que não se compreende. É muito mais seguro manter longe o amor, afinal, quem sabe se é este sentimento mesmo que bate à nossa porta? Quem garante que é dele a voz que vem do coração? Melhor negar, fugir, ser “livre”... mesmo arriscando jamais saber se era ou não...
Melhor ser chique então...
Só há um detalhe: o que fazer com a lua, a brisa, o calor, as emoções, as surpresas, o carinho, as alegrias..., aquelas músicas..., a saudade...?
Ah tudo isto passa, é bobagem, vai continuar lá e outro “momento” vai chegar... será?


Anderson Machado

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Páscoa do Coelhinho?

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Aleluia Ele ressuscitou!
Pode parecer um tanto quanto estranha iniciar um post deste nosso espaço com uma expressão tão carregada de religiosidade, ou melhor, de fé. Mas o faço porque sou cristão, respeito e convivo e tenho amizade com pessoas de outras religiões e outras que sequer acreditam num Deus, mas em mim a fé é presente, constante, um esteio na minha vida.
Por tudo isto, sinto vontade de escrever sobre este momento, sobre o “Feriadão”. Infelizmente, é assim, como um grande feriado, que muitas pessoas encaram a semana santa e a Páscoa. Graças ao apelo consumista, o que ganha destaque nas ruas, não é a lembrança do sacrifício supremo do Filho de Deus, provavelmente não são poucas as crianças e adolescentes que, se questionados sobre o significado da Páscoa, são capazes de dizer que “é quando se comemora a passagem do coelhinho da páscoa que ressuscitou e vem distribuir ovos de chocolate...”
Nada contra os chocolates, na verdade, mesmo não sendo chocólatra, aprecio essa delícia do cacau e reconheço a inegável a alegria e prazer proporcionados em tantas pessoas por essa iguaria.
Mas é uma pena, de verdade! Afinal se todos realmente compreendessem a beleza e força desta lembrança, certamente, vivenciariam alegria infinitamente maior, posto que sublime. E aqui não me refiro exclusivamente ao dogma cristão-católico do calvário à ressurreição. A lição, os princípios, os valores que emergem do sacrifício pascal e da ressurreição são apreciados por todas as pessoas de bem, independentemente das crenças religiosas.
Afinal, como não reconhecer a beleza e a grandeza de um amor de alguém que é capaz de dar a vida pelo outro? Mais ainda, de um Pai que permite o sacrifício do um Filho por Amor?
Já não bastasse tão grande lição, um banho de esperança e alegria coroa a história, pois ao ressuscitar e subir aos céus para reinar ao lado do Pai, o Cristo reafirma a vitória do bem, sobre o mal. Aliás, como também ocorreu na libertação do povo Judeu do Egito, na origem da Páscoa.
Bem, se este post ajudar aos 3 ou 4 leitores a refletir sobre este tão belo momento, já terá valido a pena esquentar as coxas com sob o notebook a esta hora da madruga.
Que a verdadeira Páscoa aconteça na vida de todos e de todas e que a lição de amor que recordamos nestes dias, nos inspire na vida cotidiana, que nossa medida na vida seja que não existe amor maior que dar a vida pelo irmão.
Feliz Páscoa!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Chorei

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                   Chorei



Se inundados os olhos estão
É porque, no coração,
Um rio de emoções corre veloz

Um sonho perdido, desilusão
Um choro contido,
Denunciado no embargar da voz

Deixar a lágrima cair
É assumir a fragilidade do ser
É reconhecer que a dor
Invade a alma e nos faz viver

Quando na face escorre
A lágrima leva consigo
O turbilhão do coração
Banha o peito e lava a alma

Chorar é deixar-se viver
É não conter a verdade
É gozar liberdade
Domar todo sofrer

O choro segurar eu tentei,
Mas a vida há de ser vivida
Por viver me entreguei...

                           Anderson Machado

terça-feira, 20 de março de 2012

TERMÓPILAS: DIGA NÃO À PIZZA DA CORRUPÇÃO

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A corrupção está no ar.
Digo mais, está no ar em cadeia nacional. E não é de hoje!
E o cheiro que se sente não é o de Justiça, tem pizza assando!

De tempos em tempos vemos, nos mais diversos programas de TV, cenas estarrecedoras, verdadeiros shows de horror, de desprezo com a coisa pública, ou seja, com aquilo que é nosso, é de todas as pessoas.
A cada escândalo parece que a sociedade vai sendo entorpecida e os malfeitores perdendo qualquer resquício de respeito que um dia possam ter tido, parecem encarnar a idéia que o esperto é o corrupto, aquele que sempre leva vantagem, que pra tudo tem um “jeitinho”; besta é quem é honesto, é quem trabalha duro, é quem vive do seu próprio suor.
Será que chegará mesmo o dia em que teremos vergonha de sermos honestos?
Ontem entrevistamos um deputado estadual e, como não poderia deixar de ser, tratamos do mais recente escândalo de corrupção protagonizado por Deputados Estaduais, membros do Governo e empresários, anunciado ao Brasil com a “Operação Termópilas”. Fiquei extremamente incomodado com o que ouvi e, mais, com o que concluí. Se nada for feito pela sociedade, por nós, a pizza está assando!
Embora o Deputado Ribamar Araújo tenha procurado não entrar em choque com seus “pares” membros da “comissão processante”, deixou transparecer uma total incredulidade em qualquer resultado diferente da absolvição total de todos os deputados envolvidos. Inclusive do foragido, Valter Araújo.
Não estou aqui falando contra a presunção de inocência, o direito ao devido processo legal, a ampla defesa e todos os demais princípios que buscam proteger inocentes do arbítrio – embora, infelizmente, muitas vezes sirvam também de escudo para bandidos – porém, há coisas que simplesmente não é possível entender.
Vejamos o caso mais escancarado o do Deputado foragido, suposto chefe da quadrilha, Valter Araújo, que não vai à Assembléia Legislativa desde antes de 19/dez/2011 (data em que passou a ser considerado foragido), portanto, o citado deputado não comparece ao seu local de trabalho a mais de 90 (noventa) dias!
O que aconteceria com qualquer trabalhador, quer da iniciativa privada ou mesmo servidor público, que faltasse ao trabalho por mais de 90 (noventa) dias? Certamente, não havendo justificativa para as faltas, seria demitido, perderia o emprego ou o cargo público. E porque o todo poderoso Valter Araújo não perde o cargo de Deputado?
Será que na Assembléia Legislativa faltar por estar se escondendo da polícia é considerado “falta justificada”?
Outra coisa, todo mundo precisa lembrar que Valter Araújo mandava e desmandava na Assembléia Legislativa graças ao enorme apoio que possuía de seus “colegas”. Segundo revelado nas investigações da Polícia Federal Valter Araújo tinha por hábito dar “agrados” aos colegas, com eles “repartir o pão” e, assim, mantinha-os todos dóceis e aplaudindo suas “peripécias”.
Será que os deputados da Assembléia Legislativa, inclusive os outros sete que, supostamente, possuíam ligação direta com o “esquema” de Valter Araújo, terão coragem de cassar o mandato de seu estimado “colega”? Será que se ficarmos todos de braços cruzados esperando uma atitude dos deputados não estaremos fadados a cansar de esperar? O trabalho, ou na verdade a falta dele, até agora na “Comissão Processante” não demonstra claramente o objetivo protelatório reinante naquela “Casa de Leis”? Será que os deputados não estão querendo “deixar a coisa esfriar” pra servir uma enorme e quentinha pizza?
Sinceramente, minhas respostas a todas essas questões não são nada animadoras, tenho a nítida impressão que NADA acontecerá se NÓS (todas as pessoas que não concordam com a corrupção) não tomarmos uma atitude, SEM PRESSÃO NÃO VAI TER PUNIÇÃO!
A comissão processante reúne-se apenas às terças-feiras, tenho certeza que na reunião de hoje NADA de relevante ocorrerá, e será assim também na semana que vem, e na seguinte, na outra e na outra. Isto só será diferente se nos movermos, se decidirmos efetivamente defender o que é nosso, se formos à Assembléia Legislativa dizer aos deputados que não aceitamos ser representados por quem desvia recursos públicos, por quem foge e se esconde da polícia, afinal, devemos ser representados por iguais e, da minha parte, não aceito ser representados pelo senhor Valter Araújo e sua turma! Eles não são meus iguais, são seus?
Fica o convite, as redes sociais estão aí e podem nos ajudar muito, vamos à Assembléia Legislativa no dia 27/03! Ou reagimos agora ou mais uma pizza de impunidade será esfregada em nossas faces!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Olhos que dizem

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             Olhos que dizem



Os olhos dizem coisas que os lábios temem admitir

Palavras são abençoadas, são dons,
Mas também são dores.
São bálsamos nos amores,
Ou espada d’alma em forma de sons.

Dizer tem seus encantos,
Sua força, seu poder.
Há momentos que só o são ao se dizer.

Mas dizer também tem seus perigos,
Sacrifícios, seu sofrer.
Momentos são perdidos, simplesmente, ao dizer

Quem bem sabe pouco diz e é feliz
Pois da alma a verdadeira expressão,
De tudo que está no coração,
É com os olhos que, inevitavelmente, se diz...

Anderson Machado

quinta-feira, 8 de março de 2012

Muito mais que Flores!


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Mais que flores, mais que um jantar ou belos cartões, hoje é dia de ofertar respeito, reconhecimento, igualdade. Aliás, hoje e sempre, é dever, olhe bem estou dizendo DEVER, de todos nós reverenciarmos a mulher.

Digo isto porque a mulher em nada - salvo em alguns casos relativos aos aspectos de força física - é inferior ao homem. Mais que isto, em regra, a mulher desempenha, pelo menos, tão bem quanto o homem as tarefas que lhes são comuns e, além disto, realiza de maneira muito melhor outras tantas. Raros são os homens que conseguem cumprir de forma eficaz um tripla jornada, já para as mulheres, poucas são as que não o fazem.
Nós homens, em regra, ou fazemos bem uma coisa ou outra. É na mulher que se encontra o equilíbrio entre beleza e força, entre sonho e pés no chão, entre o amor à família e o trabalho.

Rendamo-nos, pois! Está na ocupação de mais espaços de poder e protagonismo pelas mulheres a chave para uma humanidade melhor.

Um mundo melhor é o mundo onde homens e mulheres respeitam-se e vivem em harmonia, o 8 de março é o momento que a história nos concedeu para refletirmos e avançarmos nessa construção.

Parabéns mulheres pela luta e parabéns aos homens que sabem reconhecer a força e importância das Mulheres!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Crônica do TATÁ - Açaí – O enredo vitorioso da Asfaltão


Por: Altair Santos (Tatá)



Se “Itaki não podia imaginar que o açaí, o seu povo ia salvar...” (conforme o samba de enredo da escola), também impossível seria ao velho líder indígena prever, ao efeito do cachimbo ou em ritual de pajelança, lá na tribo, sequer cogitar que jamais, a jovem índia Iaçá, numa noite de carnaval, verteria de seus olhos tanta água em forma de abundante chuva, pra regar a vitória de uma escola de samba.

O Néctar dos Deuses da Floresta (açaí), com sua força protéica vitaminou os brincantes da agremiação. A energizada Asfaltão, (leia-se também: açaizada) que se diz mais forte quando invoca a bravura e a força do animal símbolo, o Tigre e se faz ungida pelos cuidados e proteção de Santa Bárbara, a padroeira do bairro sede da escola, nas imediações dos bairros Nossa Senhora das Graças, Mato Grosso e arrabaldes, teve que encarar os fatos, a tormenta, ou seja, fazer a travessia bebendo o sumo do fruto da vida, lavando o azar e espantando o olho gordo pra irromper, lá no fim da pista, onde a se faz a dispersão, com a esfinge tatuada em seu peito credenciando-a ao título.

Chorava Iaçá em pranto diluviano, enquanto a “bateria pura raça” ritmava o canto e a dança daquela procissão de cor e sabor açaí que já não desfilava e, sim, navegava aguerrida, firme e decidida, senhora de si, naquela que fora, ao instante, sua verdadeira água benta que lhe purificou os pés, as mãos, mentes e corações. Parecia a escola estar em mar, já dantes navegados, tal a sua transformação por haver se concentrado na cabeceira da pista com a noite em céu estrelado para - em menos de um quarto de hora - ter suas vestes lavadas pelo incessante e apressado pranto da índia.

A propósito, o último título da Asfaltão, ocorrera há anos (na Av Gov Jorge Teixeira), em situação semelhante. Após o desfile, a madrugada foi avançando, sem trégua da chuva. Quando o dia se fez claro veio como lembrança de ontem, uma noite de superação e magia. O registro do fenômeno acontecido abriu o dia com céu ainda nublado, mas que não se fez em chuva e garantiu a apuração dos pontos em clima de civilidade e urbanidade entre os contendores da passarela do samba.

O desenho da disputa, rabiscado no asfalto fora lavado com o lacrimejar de Iaçá perfumando o salão da festa pra quem preparou no alguidar uma conquista com sabor de Açaí, de Brasil, da Amazônia para o mundo. Parabéns!



O autor é presidente da Fundação Cultural Iaripuna
tatadeportovelho@gmail.com

A Banda, o poder público e a cultura popular - Ernande Segismundo (*)

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Assistia na noite da sexta feira de carnaval na ‘Band’ a uma entrevista do governador do Estado de Pernambuco que discorria sobre a complexa produção cultural daquele estado na área de música, das artes plásticas, da literatura, da dança, etc., concluindo que o Carnaval de Pernambuco é a síntese estética e econômica de toda a produção cultural do estado ao longo do ano.

Fiquei maravilhado com o requinte dos conhecimentos do Governador pernambucano sobre a cultura popular daquele estado e sobre as informações que detinha sobre as origens das diversas manifestações culturais daquele carnaval, como os papangús, o frevo, os caboclinhos, os maracatus de baque solto e de baque virado, o afoxé, etc.

Em Rondônia, especialmente em Porto Velho infelizmente para boa parte do Poder Público o carnaval não passa de confusão, balbúrdia e desordem. Agentes públicos envolvidos diretamente com a folia de momo desconhecem completamente os modos de criar, fazer e viver da população tradicional de Porto Velho cujos folguedos atraíram e atraem cada vez mais aqueles que para cá vieram nos diversos ciclos migratórios e que sempre foram bem acolhidos, tornando Porto Velho uma das capitais mais multiculturais da Federação.

O que afirmo no parágrafo anterior se vê claramente na postura do Poder publico em relação à Banda do Vai Quem Quer, odiada por uns poucos e amada pelas multidões de foliões que a cada ano engrossam seu cordão.

O cortejo fabuloso da Banda do Vai Quem Quer constitui a maior aglomeração de pessoas num único acontecimento na cidade de Porto Velho. Nenhum outro evento, instituição ou entidade consegue reunir tamanha multidão no Estado de Rondônia. Calcula-se algo em torno de 150 mil pessoas neste 2012, tomando-se o fato de que por volta das 19h00 do sábado de carnaval a Av. Carlos Gomes, a Rua Joaquim Nabuco e a Av. Sete de Setembro estavam completamente lotadas pelos foliões, sem contar as vias adjacentes, como Dom Pedro II que também estavam tomadas pela multidão.

Curioso que essa espetacular quantidade de gente brincando alegremente carnaval produz números irrisórios de ocorrências policiais. Aliás, o carnaval porto-velhense em si é uma festa eminentemente pacífica e tranqüila. Na larga maioria dos blocos nunca se registrou sequer uma única ocorrência policial em anos e anos de desfiles.

Não se pode negar, por qualquer ângulo que se analise, que a Banda do Vai Quem Quer, com seus 32 anos de existência, é a maior manifestação da nossa cultura popular e por isto mesmo se acha protegida pela Constituição Federal que em seu art. 215 estabelece que o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.

O § 1º do mesmo art. 215 estabelece ainda que o Estado protegerá as manifestações das culturas populares.

A Constituição Federal prevê ainda no seu art. 216 que constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: as formas de expressão e os modos de criar, fazer e viver.

Com efeito, o apoio estatal para o carnaval popular de Porto Velho, especialmente para a BVQQ, mais que uma faculdade, é uma verdadeira obrigação estabelecida pela Magna Carta da República para todos os entes públicos, tais como os Poderes Executivos, o Ministério Público, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, etc.

Porém o que vemos todos os anos é o aumento exponencial de exigências cada vez mais insondáveis, inverossímeis, insolentes e estapafúrdias para a apresentação da BVQQ, sobretudo, por membros da Comissão de Grandes Eventos da Prefeitura Municipal de Porto Velho, do Ministério Público e da Polícia Militar.

Alguns Agentes públicos exigem a ferro e fogo que a Coordenação da BVQQ providencie coisas que são próprias do Poder Público, numa acintosa transferência de tarefas públicas para o particular, como a disponibilização de banheiros químicos, enorme quantidade de grades e cones para a interdição das vias públicas e já chegaram até mesmo ao absurdo de exigir que a BVQQ providenciasse a limpeza urbana do seu trajeto após o desfile, à revelia de toda a proteção que a Constituição Federal garante à livre manifestação da cultura popular.

Ao invés da perseguição desenfreada, é necessário que a BVQQ, de acordo com o que determina a Carta Magna, seja tratada de modo todo especial pelo Poder Público, assim como o é por seus foliões. A BVQQ precisa de um Projeto Cultural próprio de apoio do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal, independente dos projetos Culturais da Uniblocos para os demais blocos do carnaval popular de rua de Porto Velho e da FESEC, isto porque a BVQQ não é apenas mais um bloco de carnaval. A BVQQ é a síntese orgânica de toda a nossa cultura popular e constitui patrimônio imemorial do nosso povo e assim deve ser tratada, com todas as suas peculiaridades.

É necessário também que o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal assumam responsabilidades maiores para com a apresentação da BVQQ em face das especificidades dessa gigantesca manifestação cultural popular.

Enquanto o Poder Público não compreender que a BVQQ é um dos maiores patrimônios imemoriais da população do Estado de Rondônia, juntamente com a Festa do Divino do Vale do Guaporé, esta singular manifestação da alegria do povo será encarada pelo viés da ignorância como uma grande confusão, balbúrdia e desordem.

Por fim, a despeito daqueles que são do contra, a BVQQ deve continuar, sob o comando da Generala Ciça e a certeza da proteção de Deus, do Estado e de todos os seus grandes foliões que já partiram como o grande cantor e compositor Babá, o General Manelão, Valverde, Paulo Queiróz, Auristélio Castiel, e muitos outros.



(*) Ernande Segismundo é advogado e orgulhoso folião porto-velhense.