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segunda-feira, 14 de março de 2011

Domingo 13 de março: A última carreata...

Fátima/Ely/Eduardo via Google/Imagens

Desde o final da tarde de sexta-feira, dias e noites confundiram-se. Primeiro o choque da notícia desmentida e confirmada tantas vezes, até que não havia mais dúvidas, partiram para o céu duas brilhantes estrelas, duas estrelas vermelhas: Eduardo Valverde e Ely Bezerra.
As horas que se seguiram, quase todas passadas na sede do Partido dos Trabalhadores em Porto Velho, foram preenchidas por um misto de incredulidade, consternação e solidariedade.
Sinceramente, naquela primeira madrugada, vendo tantas pessoas, tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas nos sentimentos, pouco a pouco lotando aquele lugar, cheguei a alimentar brevemente a ilusão de que estávamos ali para mais um encontro partidário, que logo começariam as falas, a defesa de propostas e as contestações. Porém, nem na aquela plenária imaginária, nem em qualquer outra que aconteça de agora em diante, teremos a paciência, a eloquência, a inteligência espantosa do Eduardo nem a dinamismo, a sagacidade e o bom humor do “gatinho” Ely. E, mesmo no silêncio da dor, todos que por ali passaram, tinham a consciência de que, naquele momento, testemunhavam e sentiam uma grande perda, uma perda de todos e todas, porque, naquele 11 de março, naquela curva da BR 364, perderam amigos, parentes, companheiros de partido, mas também perdeu Porto Velho, Rondônia e o Brasil.
No sábado, em meio ao dia completo de homenagens, operava-se em diversos corações talvez a última ação partidária dos companheiros Eduardo e Ely. Não me refiro àquela missão em Costa Marques para a qual dirigiam-se quando a aquaplanagem os arremessou contra aquela carreta, mas sim a uma outra ação: ao perderem suas vidas em missão partidária, trabalhando pela organização do instrumento de luta político-eleitoral no qual tanto acreditaram, provocaram em corações e mentes daqueles que carregam no peito a estrela petista rondoniense uma reflexão, um alerta. Afinal um sonho que custou ao longo da história tantas vidas, inclusive, mais recentemente as vidas de Eduardo e Ely, não pode ser abandonado. Um sonho que vale vidas de homens e mulheres, e tenho certeza que Eduardo e Ely, de onde nos observam agora, continuam acreditando que vale, deve receber de todos algo mais, é hora de superar dificuldades, tristezas, decepções, frustrações, é hora de reunir Forças e, mais do que nunca, fortalecer a luta por um mundo melhor para todos e todas.
Foi com o espírito desta última lição recebida daqueles companheiros que, por volta das dez horas da manhã do dia 13 de março de 2011, partiu da sede do PT em Porto Velho a última e, sem dúvida, mais triste carreata do Partido dos Trabalhadores, capitaneada por Eduardo Valverde e Ely Bezerra. Esta carreata diferente que não tinha o objetivo de comemorar uma campanha eleitoral, e sim de celebrar a vida e homenagear a luta de dois guerreiros da luta dos trabalhadores e que, como tantas outras, demonstrou a força de um ideal, de um sonho e, mais que tudo, mostrou o respeito e o carinho, não só da estrela vermelha, mas de tantas outras cores e pensamentos, por dois guerreiros que perderam a vida em batalha, partiram fazendo o bom combate.
Obrigado Eduardo, valeu Ely, “gatinho”, a luta continua!

8 comentários:

  1. As dores das perdas invandem o coração, mas nesse caso invadiu a alma,, mexeu com as utopias daqueles que na jornada da vida acreditam num sociedade diferente e lutaram e luta por um novo amanhâ. A dor vai virar saudade.

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  2. É difícil acreditar, mas esta perda significa muito em relação ao amanhã... pois, surgirão outros no mesmo ideal ou morre-se ideais de respeito, solidariedade e luta, que eram as bandeiras do Valverde....

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  3. Difícil de acreditar... Rondônia perdeu muito com essa lamentavelmente perda.. Dois homens que estavam em lutas por melhoras para o estado... A saudade que parece não ter fim pra quem tinha contato direto... Que Deus conforte os corações de familiares e amigos... A população sofre tb...

    Parabéns pela homenagem...

    Flávia Souza

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  4. Lendo suas palavras é impossível não se emocionar. Lembro-me que assisti atônita a notícia desse trágico acontecimento e no mesmo instante as lágrimas começaram a descer de meus olhos. No começo torci com todas as minhas forças que fosse apenas um engano, mas infelizmente não era. Rondônia e o Brasil perdem um grande homem! Eu admirava e muito Eduardo Valverde. Que Deus dê muita força para a sua família e para a família de Ely. E como você disse, "são duas estrelas vermelhas" que estão lá de cima nos guiando e iluminando.

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  5. Certamente companheiro Anderson, com a ausência do Eduardo o sentimento é de desamparo. A perda parece que evidencia o tamanho do buraco que ficou no PT de Rondônia. Eduardo Valverde, praticava o diálogo, ouvia o outro, sua partida repentina nos ensina que precisamos retomar isso. Lamento pelo Ely também, temos histórias boas para lembrar. Agora nos restam os versos de Ivan Lins, pois "estamos marcados pra sobreviver...". Jô

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  6. Com imensa consternação de não estar presente nessa última carreata é que me solidarizo e faço do seu belo texto minhas palavaras, vou guardar na memória a vivacidade e verdade das atuações políticas! Abraço e segue a vida.

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  7. Maria Aparecida Gomes-Bsb/DF15 de março de 2011 05:59

    Caro Companheiro Anderson,apesar da tristeza, você conseguiu externar os sentimentos de muitos de nós, parabéns pela homenagem.Assim como a você, eles marcaram a vida de muitos, não passaram por essa vida em branco e só deixaram feitos positivos, são poucos os que conseguem, eles conseguiram.

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  8. É uma grande tristeza para todos aqueles que ficam a perda desses dois. Foram perdas significativas para o PT, para Porto Velho e principalmente para a política brasileira. Conheci um pouco da história de Eduardo Valverde através de um amigo em comum que me narrava suas lutas com grande admiração e toques de louvor e disse-me vote nele! E votei porque vi nele o que legitima a ética; a sua racionalidade. E, mais do que isso, a força e a transparência de determinados princípios que parecem evidentes em si mesmos. Melhor dizendo pregava aquilo que acreditava e buscava o melhor para a sociedade. Segundo Betinho “O maior teste para a ética é a relação de poder, os princípios éticos precisam estar acima das manifestações de poder.” E somente em alguns políticos predominam esses princípios éticos. E Eduardo Valverde era um desses. Que essa estrela que deixa de brilhar aqui na terra, e agora brilha no céu, seja um exemplo para muitos.

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